Livro resgata obra de Insley Pacheco, pioneiro da fotografia no Brasil

Douglas baltazar • 16 de outubro de 2025


Fotógrafo fundou uma maneira de olhar o Brasil, diz Daniel Rebouças

Por volta de 1855, o Rio de Janeiro estava no período imperial. Foi nesse contexto que um jovem fotógrafo português subia as escadas do sobrado da Rua do Ouvidor, onde montaria o seu estúdio. Joaquim José Insley Pacheco instalava ali mais do que um ofício: fundou uma maneira de olhar o Brasil.

Um século depois, sua obra volta a ganhar corpo e brilho em O Espelho de Papel – A fotografia de Joaquim Insley Pacheco na coleção do IHGB (Capivara, 2025), livro de 160 páginas com texto do historiador e pesquisador baiano Daniel Rebouças (foto) e apresentação de Pedro Corrêa do Lago. 

A publicação, fruto de parceria entre a editora Capivara e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, reúne mais de 400 imagens, foi álbum do século XIX, tecido de memórias, luz e papel.

“A coleção do IHGB guarda parte do imenso legado de Insley Pacheco para a fotografia no Brasil”, observa Rebouças.

O pesquisador se debruçou sobre jornais, arquivos e retratos para reconstruir a trajetória do homem que transformou o retrato em arte e status. Na pesquisa do escritor, a descoberta de que foi Insley quem introduziu no país as principais inovações técnicas da época, da carte de visite (pequenos retratos colados em cartões), às fotografias sobre porcelana, vidro e marfim. Um inventor da pose, do gesto e do instante.



Caçula de três irmãos, órfão ainda menino, Insley Pacheco migrou de Portugal para o Brasil e encontrou na luz uma forma de destino. Antes de firmar-se no Rio, passou por Fortaleza, São Luís e Recife — cidades que o moldaram tanto quanto ele as capturou com sua câmera fotográfica.

Em Nova York, foi aprendiz de Mathew Brady, o fotógrafo que eternizou os rostos da Guerra Civil Americana. De Brady, aprendeu o valor do retrato como vitrine, espetáculo e poder. Quando voltou ao Brasil, trouxe consigo um olhar cosmopolita. Incorporou “Insley” ao nome profissional — gesto simbólico de quem queria se alinhar aos mestres estrangeiros — e inaugurou seu estúdio na Rua do Ouvidor, o coração elegante da capital. Ali, sob a luz difusa das janelas e o cheiro de produtos químicos, posaram figuras da elite, políticos, artistas, dândis e senhoras que viam na fotografia uma forma de permanecer.

Em 1857, Pacheco foi nomeado fotógrafo oficial da Casa Imperial. D. Pedro II, entusiasta da ciência e da imagem, reconhecia nele um artista capaz de traduzir o espírito de seu tempo: o Império visto através do vidro da lente. A cada retrato, Pacheco compunha uma narrativa de elegância e autoridade, transformando a fotografia em espelho social — uma forma de dizer quem se era e quem se queria ser.

Mas o fotógrafo não se limitou à técnica. Foi também pintor e aquarelista, amigo de artistas como Arsênio da Silva e Antônio Parreiras. Sua obra atravessa fronteiras entre artes visuais e ofício, entre documento e invenção. No desenho de Ângelo Agostini, é possível vê-lo ao lado do imperador, contemplando uma exposição. Dois homens unidos pelo fascínio da imagem.

A vida de Insley Pacheco foi marcada por brilho e sombras. Viúvo desde 1877, perdeu o filho — o engenheiro Alfredo Pacheco — em 1895, no mesmo ano em que mudou o endereço do estúdio. Mesmo assim, não abandonou a criação. Enviou dezenas de pinturas e aquarelas para os salões do início do século XX, continuando a se reinventar até pouco antes da morte, em 1912.


 Retratos do escritor José de Alencar e do compositor Carlos Gomes no livro "O Espelho de Papel", com imagens feitas por Joaquim Insley Pacheco, fotógrafo oficial da Casa Imperial de 1857 até a República. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Ainda assim, sua arte permaneceu como testemunho de uma época. Na Exposição Universal de Chicago, em 1893, representou o Brasil com uma grande amostra de daguerreótipos e retratos. Em 1900, foi convidado para as celebrações dos 400 anos do “descobrimento”. Morreu reconhecido, com a serenidade de quem sabia que a luz — uma vez capturada — não se apaga.

Para Daniel Rebouças, estudar Insley Pacheco é revisitar a gênese da nossa cultura visual. “A fotografia no Brasil se tornou, por excelência, a forma do registro de si e das memórias familiares, da construção de nossas identidades sociais”, escreve o historiador.

Seu livro devolve ao público não apenas o rosto de um artista, mas também o retrato de um país em formação — um Brasil que aprendeu a se ver, a se imaginar e a se lembrar por meio da fotografia. Nas páginas de O Espelho de Papel, o passado reflete o presente: cada retrato é um lampejo do tempo, cada olhar, uma pergunta sobre o que resta quando a imagem permanece.

 


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Por Joao Pedro 21 de maio de 2026
O atacante Pedro marcou o gol da vitória de 1 a 0 do Flamengo sobre o Estudiantes (Argentina), na noite desta quarta-feira (20) no estádio do Maracanã. Com este resultado o time da Gávea se garantiu, de forma antecipada, nas oitavas de final da Copa Libertadores da América. Com os três pontos conquistados em casa, o Rubro-Negro da Gávea chegou ao total de dez, não podendo mais ser ultrapassado pelos argentinos, que ocupam a terceira posição do Grupo A com seis pontos. O detalhe é que o Flamengo ainda pode receber mais três pontos, referentes ao jogo diante do Independiente Medellín (Colômbia), que foi cancelado por causa de atos de vandalismo de torcedores da equipe colombiana. A partida disputada nesta quarta no estádio do Maracanã foi marcada pelo equilíbrio. Apesar do apoio de sua apaixonada torcida, o time da Gávea encontrou muitas dificuldades de criar oportunidades de marcar diante de um Estudiantes que se arriscava muito ao marcar de forma adiantada.  Com isso, as melhores oportunidades da equipe comandada pelo técnico português Leonardo surgiram apenas após o intervalo. E foi no segundo tempo, aos 19 minutos, que Pedro marcou o gol da vitória. O centroavante do Rubro-Negro aproveitou rebote dado pelo goleiro Muslera para dominar com a perna direita e chutar com a esquerda para o fundo do gol. A partir daí o Flamengo melhorou ainda mais, e ficou muito perto de ampliar. Mas o placar permaneceu sem novas alterações até o apito final.

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