Venezuela pede que ONU condene EUA e denuncia interesse no petróleo

Douglas baltazar • 6 de janeiro de 2026

Governo de Trump é acusado de agressão armada e violação de soberania

A Venezuela pediu formalmente ao Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) que condene de forma “clara e inequívoca” a ação militar dos Estados Unidos em Caracas no último sábado (3), que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

O apelo foi feito pelo embaixador venezuelano Samuel Moncada na reunião de emergência realizada nesta segunda-feira (5) na ONU.

“Os acontecimentos de 3 de janeiro constituem uma violação flagrante da Carta da ONU perpetrada pelo governo dos Estados Unidos, em especial do princípio da soberania dos Estados e da proibição absoluta do uso ou da ameaça do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer país”, disse Moncada.

O embaixador também solicitou ao Conselho de Segurança o respeito às imunidades do presidente Maduro e da primeira-dama, a reafirmação do princípio de que territórios e recursos não podem ser adquiridos pela força e a adoção de ações para proteger a população civil.

“O sequestro de um chefe de Estado em exercício viola a imunidade presidencial. Essa imunidade não é um privilégio individual. É uma garantia institucional que protege a soberania dos Estados e a estabilidade do sistema internacional”, disse Moncada.

“Permitir que esses atos fiquem sem uma resposta efetiva significaria normalizar a substituição do direito pela força e corroer os próprios fundamentos do sistema de segurança coletiva”, alertou.

Moncada também acusou os Estados Unidos de terem motivações econômicas por trás da ofensiva, o que inclui principalmente um plano de controle sobre a produção de petróleo.

“A Venezuela é vítima dessa agressão por causa de seus recursos naturais. O petróleo, a energia, os recursos estratégicos e a posição geopolítica do nosso país historicamente despertaram ganância e pressão externa”, declarou o embaixador.

Segundo o diplomata, a ação dos Estados Unidos representa uma ameaça não apenas à Venezuela, mas à estabilidade global.

“Quando a força é usada para controlar recursos, impor governos ou redesenhar Estados, estamos diante de uma lógica que resgata as piores práticas do colonialismo e do neocolonialismo”, disse.

O representante venezuelano garantiu que, apesar da gravidade da situação, as instituições do país estão funcionando normalmente, e que o fato de a vice-presidente Delcy Rodríguez ter assumido interinamente a Presidência assegura a continuidade constitucional.

“A Venezuela acredita na diplomacia, no diálogo e na convivência pacífica entre as nações. Defendemos nossa soberania sem renunciar aos nossos valores”, disse Moncada.



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Por Joao Pedro 13 de julho de 2026
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