Quase 14% dos produtos de limpeza vendidos no Brasil são clandestinos

Douglas baltazar • 19 de outubro de 2025

Fabricantes desses itens alcançam parcela importante do mercado

Quase 14% dos produtos de limpeza vendidos no Brasil são clandestinos. É o que aponta uma pesquisa da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Higiene, Limpeza e Saneantes de Uso Doméstico e Profissional. São itens que estão no mercado mesmo sem ter registro da Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Uma parte deles é comercializada em embalagens inadequadas, como garrafas PET, com risco severo de intoxicação no manuseio. No ano passado, a informalidade nos produtos de limpeza de uso doméstico era de cerca de 11%.

Segundo a pesquisa, os fabricantes clandestinos alcançam uma parcela importante desse mercado no país, com o faturamento anual chegando a R$ 5 bilhões, contra R$ 40 bilhões de da indústria formal.

Ainda de acordo com o estudo, 8% dos brasileiros compram itens do comércio ambulante de produtos de limpeza. A maioria dos entrevistados que declararam fazer uso doméstico desse material é de homens entre 18 e 24 anos, de classe social baixa, solteiros e da região Sudeste.

A presidente da Abralimp, Nathalia Ueno, argumenta que a informalidade traz riscos à saúde e fala das sanções que podem ser aplicadas:

“Existe um risco de intoxicações, queimaduras químicas, danos aos equipamentos e também às superfícies, fora a contaminação cruzada, que isso pode levar à interdição do local pela Vigilância Sanitária. Além disso, também tem a responsabilidade, que pode ser compartilhada. Que é a de quem fabrica, de quem está distribuindo esses produtos ou, até mesmo, de quem está utilizando esses produtos sem registro. Pode levar advertência, multa e também a apreensão desses produtos.”

Riscos sanitários

Nathalia Ueno ressalta ainda que, além de representar uma concorrência desleal, o mercado de produtos ou serviços clandestinos aumenta também os riscos sanitários, podendo trazer problemas, no caso de empresas, que vão além da ineficácia na limpeza.

“Esses produtos não têm nenhuma garantia de composição. Eles podem conter solventes proibidos e causar alergias, irritações respiratórias e intoxicação, levando essas pessoas ao hospital. E isso pode trazer a falsa sensação de economia no bolso”, destaca.

Informalidade nas empresas

O estudo também apurou a informalidade nas empresas. Na soma das compras formais e informais pelos mesmos estabelecimentos, o percentual de informalidade chega a 20% este ano, contra 18% em 2024.

O produto campeão de compras informais nas empresas é o desinfetante hospitalar, com 48%. Essas compras são mais comuns em empresas da região Nordeste com mais de 50 funcionários.


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Por Joao Pedro 19 de agosto de 2026
A Justiça do Trabalho decidiu suspender as demissões em massa que foram efetivadas pelas Casas Bahia em todo o país. A decisão foi proferida na noite desta terça-feira (18). A decisão foi motivada por um pedido da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) para barrar as dispensas. Na semana passada, a varejista anunciou que está com dificuldades financeiras e que protocolou na Justiça um pedido de recuperação judicial. Cerca de 1,9 mil funcionários foram demitidos e 298 lojas foram fechadas. Ao determinar a suspensão das demissões, a juíza Katarina Roberta Mousinho de Matos, da 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, entendeu que as dispensas ocorreram sem a intervenção do sindicato da categoria, medida imprescindível conforme a legislação e a jurisprudência dos tribunais trabalhistas. "A medida não impede a requerida de, concluída efetiva intervenção sindical, adotar nova decisão empresarial de redimensionamento e, se foro caso, promover dispensas. O sindicato não dispõe de poder de veto. Exige-se somente que a decisão coletiva seja precedida de informação e oportunidade real de interlocução, antes de sua implementação", decidiu a magistrada. Conforme a liminar, a empresa terá prazo de cinco dias para restabelecer os vínculos trabalhistas e incluir os funcionários na folha de pagamento. Em 48 horas, o plano de saúde e os benefícios assistenciais também deverão ser restabelecidos. 

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