Parteiras unem tradição e ciência no cuidado com as mulheres

Douglas baltazar • 21 de janeiro de 2024

Dados da Fiocruz apontam que, no Brasil, a taxa de cesariana é de 55%


A tradição, que vem de um saber ancestral, e a ciência, baseada em evidências, são conhecimentos que andam lado a lado quando se fala no trabalho das parteiras. Nayane Cristina, uma parteira que atua no Sistema Único de Saúde (SUS), em Brasília, conta que desde os 4 anos já sabia que a atividade era o chamado dela. E que a história da avó, que teve oito partos em casa, a inspirou. 

“Eu me lembro muito claramente de ver minha avó no fogão de lenha ali, fazendo comida, fervendo leite, e eu sentada no banquinho, próximo do chão, ouvindo as histórias dela, e aquilo realmente acendeu em mim uma chama de entender que aquele era o meu caminho”, disse Nayane.   

O caminho de Nayane para se tornar uma parteira foi a faculdade de enfermagem e a residência em obstetrícia. 

No Brasil, a assistência ao parto por enfermeiras obstetras está prevista em uma lei de 1986 e em resoluções do Conselho Federal de Enfermagem (CFE). Pela legislação, compete às enfermeiras prestar assistência ao parto normal de evolução fisiológica e ao recém-nascido. 

Esses partos podem acontecer em hospitais, em casa ou nas casas de parto, como a da região administrativa de São Sebastião, no Distrito Federal, onde Nayane trabalha. No local, 13 parteiras assistem, em média, 37 partos por mês.

São gestações de baixo risco e o atendimento segue um modelo respeitoso, que ajuda a diminuir as taxas de partos por cesariana.   

“Sim, partos assistidos por enfermeiras, por parteiras, reduzem o número de cesariana consideravelmente. Aqui no Distrito Federal a gente tem vários estudos que já mostraram que em locais onde nós temos a residência de enfermagem obstétrica, a gente tem redução de cesarianas e de intervenções de maneira geral”, explica. 

Dados da Fiocruz apontam que, no país, a taxa de cesariana é de 55%. Na rede particular, o índice ultrapassa os 80%. 

Foi a busca por viver um parto com mais autonomia e menos intervenções que guiou a escolha da psicóloga Marília Tomé. Mãe do Tito, de 4 anos, e da Lis, de 2, ela teve os dois partos assistidos por parteiras. 

“Como eu tive gestações saudáveis, eu pude fazer essa escolha. Eu optei mesmo por ter um parto onde eu tivesse mais autonomia. Onde eu pudesse escolher as pessoas que estariam comigo, onde eu pudesse criar um ambiente com bastante intimidade, com muita tranquilidade. Apesar de não ser um ambiente hospitalar, eu também me senti muito segura, com muita confiança nos saberes”.

O auxílio das parteiras em todas as fases desse início do maternal foi fundamental para Marília. 

“As visitas domiciliares, todo esse auxílio com amamentação, de observação mesmo, nessas primeiras semanas, que é sempre um momento muito delicado, para a mãe, para o neném, nesse momento de chegada, de adaptação”, explicou Marília.

É importante destacar que a escolha pelo acompanhamento com parteiras não exclui o papel dos médicos na gestação. As parteiras também atuam munindo as gestantes de informações, considerando a autonomia das mulheres. 

Para a médica obstetra Monique Novacek, as mulheres que contam com esse duplo cuidado chegam mais preparadas para o parto. 

“Ela vai fazer questão do acompanhante, vai fazer questão de um ambiente calmo e respeitoso para ela, vai fazer questão que o médico explique para ela também se precisar ir para uma cesárea, porque disso acontecer”. 

A medicina trouxe avanços que salvam vidas diariamente. Ao mesmo tempo, há beleza em ver que as tecnologias ancestrais persistem. As parteiras tradicionais, aquelas que aprenderam o ofício de forma oral, observando outras mulheres, e que atuam Brasil afora, continuarão a amparar as crianças, nas mãos modernas das mulheres que atendem a esse chamado.


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Por Joao Pedro • 24 de setembro de 2026
Vaticano – O bispo da Diocese de Barra do Piraí–Volta Redonda, Dom Luiz Henrique da Silva Brito, foi recebido pelo Papa Leão XIV nesta quarta-feira (23), durante audiência no Vaticano. No encontro, o religioso apresentou ao pontífice o Ano Diocesano da Família, iniciativa que marca a caminhada pastoral da diocese ao longo de 2026. Dom Luiz Henrique também entregou ao Papa a Carta Pastoral elaborada especialmente para o período. Segundo o bispo, Leão XIV recebeu a apresentação da iniciativa e agradeceu pelo trabalho desenvolvido pela Diocese de Barra do Piraí–Volta Redonda. “Hoje tive audiência com o Papa e falei do Ano da Família e entreguei a Carta Pastoral. Ele agradeceu a iniciativa”, relatou Dom Luiz Henrique. O Ano Diocesano da Família foi aberto oficialmente pela diocese em dezembro de 2025 e integra a programação pastoral desenvolvida ao longo deste ano. A iniciativa tem como proposta estimular a reflexão sobre a vida familiar, o diálogo e a vivência da fé nos lares.

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