H.FOA realiza primeira cirurgia de endometriose profunda robótica pelo SUS

Douglas baltazar • 3 de setembro de 2025

Procedimento foi realizado no Hospital da Fundação Oswaldo Aranha com uso do sistema da Vinci X


O Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA) anunciou, nesta terça-feira (2) que realizou a primeira cirurgia robótica de endometriose profunda pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região Sul Fluminense. A endometriose é uma doença crônica que atinge milhões de mulheres em idade reprodutiva no Brasil, provocando dores intensas, cólicas incapacitantes e, muitas vezes, dificuldades para engravidar, além de um impacto direto na qualidade de vida.

O responsável pelo procedimento, Dr. Patrick Guimarães.

“Foi a primeira vez que um procedimento como esse foi feito pelo SUS aqui na região. Até pouco tempo atrás, essa tecnologia estava restrita a grandes centros privados. Hoje, conseguimos oferecê-la no serviço público. Brinquei com a paciente antes da cirurgia: vocês têm noção do tamanho do marco que estamos conquistando hoje?”, contou.

O cirurgião explicou ainda os ganhos trazidos pela tecnologia robótica do da Vinci X.

“A grande diferença é a precisão. O robô amplia a visão em alta definição e oferece instrumentos capazes de movimentos delicados. Isso é fundamental na endometriose profunda, que muitas vezes envolve intestino, bexiga e ureteres. Assim, conseguimos reduzir sangramento, diminuir complicações e acelerar a recuperação. No fim, quem ganha é a paciente, que volta a ter qualidade de vida”, disse.

Além da tecnologia, o médico destacou a importância do trabalho em equipe e o retorno positivo da paciente. A ginecologista Dra. Mariana Rolim, que participou diretamente do procedimento, também comentou o procedimento.

“Foi uma experiência muito especial. Sentimos que estamos abrindo um novo caminho para mulheres que convivem com dor e medo de não realizar o sonho da maternidade. Meu foco foi garantir o cuidado integral, com atenção especial à preservação da fertilidade. A cirurgia robótica une técnica, inovação e humanização, trazendo menos dor, recuperação mais rápida e novas perspectivas”, afirmou.

Para a Diretora Médica do H.FOA, Luciana Guimarães, o feito reafirma o compromisso da instituição com a saúde da população.

“Realizar a primeira cirurgia robótica de endometriose profunda pelo SUS em nosso hospital é motivo de grande alegria. Mais do que um avanço tecnológico, representa o nosso compromisso em reduzir desigualdades e oferecer às mulheres da região o que há de mais moderno e seguro no tratamento. É uma conquista que mostra a força do H.FOA como referência em inovação e cuidado humanizado”, afirmou Luciana.

Segundo a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva, a doença acomete mulheres entre 15 e 49 anos. A demanda por diagnóstico e tratamento no SUS tem crescido de forma expressiva: foram 82.693 atendimentos em 2022, 115.765 em 2023, e os dados preliminares de 2024 já ultrapassam 145 mil registros.


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Por Joao Pedro 21 de agosto de 2026
As empresas brasileiras passarão a ser obrigadas a identificar e tomar medidas para garantir a saúde mental e a segurança dos trabalhadores. É o que estabelece a Norma Regulamentadora 1 (NR-1). As sanções previstas às empresas que descumprissem a norma passariam a vigorar este mês, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a aplicação de multas outras sanções. A aplicação da NR-1 foi um dos assuntos tratados no seminário Entre a norma e o real: desafios e perspectivas do mundo do trabalho, que ocorre nesta quinta-feira (20) e sexta-feira (21), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. A NR-1 entrou em vigor em 26 de maio deste ano e passou a abranger os fatores de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. “A norma obriga as empresas a identificar quais são os riscos para a saúde e a segurança dos trabalhadores e a tomar medidas de controle”, disse à Agência Brasil o auditor-fiscal do Trabalho Airton Marinho, representante da DS-MG/SINAIT, que mediou o debate sobre o assunto. A NR-1 é uma norma de 2022, que teve a aplicação adiada em 2024 e 2025 e entrou em vigor em maio de 2026. Em junho, entretanto, uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu por 90 dias o efeito da norma na parte relacionada aos riscos psicossociais. Esta semana, por unanimidade, o Plenário do STF referendou a decisão do ministro André Mendonça que suspendeu a aplicação de multas e outras sanções ligadas à inclusão de fatores de riscos psicossociais nas regras de gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. Saúde mental Dados da Previdência Social mostram que foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, aumento de 15,66% em relação ao ano anterior. Os grupos de diagnósticos mais frequentes em 2025 foram os transtornos ansiosos e os episódios depressivos. Os números não significam, entretanto, que todos os afastamentos tenham sido causados pelo trabalho. Eles ajudam a dimensionar o crescimento do adoecimento mental e reforçam a importância de discutir os fatores presentes na organização e nas condições de trabalho. Airton Marinho informou que, na Europa, onde, teoricamente, as condições de trabalho são melhores do que as brasileiras, 19% dos afastamentos por doença mental são relacionados ao trabalho. “Se a gente colocar esse item aqui, você vai ter uma ideia da dimensão disso no Brasil que, provavelmente, é até maior”, afirmou.

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