Governo federal investe 108 milhões em cursinhos populares para o ENEM

Douglas baltazar • 19 de outubro de 2025

Recursos fortalecem Rede Nacional de Cursinhos Populares e estudantes

Cursinhos populares que preparam estudantes para o ENEM vão receber um investimento de R$ 108 milhões do governo federal. O anúncio foi feito durante um encontro do presidente Lula e do ministro da Educação, Camilo Santana, com estudantes que participaram de um aulão, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Os recursos fazem parte de um novo edital da Rede Nacional de Cursinhos Populares, que presta suporte técnico e financeiro para a preparação de estudantes de baixa renda que tentam uma vaga na educação superior, por meio do ENEM. Em 2026, cerca de 500 cursinhos preparatórios devem receber o investimento anunciado.

Em seu pronunciamento, Lula incentivou os jovens a seguirem nos estudos e na carreira profissional.

"Por mais que se tenha dificuldade em casa, por mais que se tenha dificuldade financeira, por mais que às vezes as coisas não andem bem, não há possibilidade de vocês, na idade de vocês, desistirem, porque o que faz a vida valer a pena é a gente ter um objetivo, é a gente ter uma causa e a gente perseguir."

O ministro Camilo Santana destacou programas de incentivo à permanência dos estudantes no ensino médio, como o Programa Pé-de-Meia e o de preparação para a educação superior.

"Nós tínhamos 480 mil jovens que estavam abandonando a escola pública do ensino médio todo mês no Brasil. Nós já conseguimos reduzir pela metade nesses dois anos a evasão. Portanto, tem o Pé-de-Meia e agora, para quem já concluiu o ensino médio, essa rede de cursinhos populares já existia, mas não tinha apoio do poder público. Foi o presidente Lula que, através de um decreto, criou a rede de cursinhos populares em todo o país."

Também presente no evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que foi titular da Educação entre 2005 e 2012, defendeu a proposta de taxação dos super-ricos como forma de garantir recursos para saúde e educação.

"Essa turma tem que pagar imposto. Essa turma tem que colaborar com a saúde, com a educação. Essa turma tem que colaborar com a segurança pública. Não é ficar ganhando dinheiro lá em cima e não [ficar] contribuindo com o fundo público que sustenta o SUS, que sustenta a universidade pública, a escola pública."

Ao fim do evento, o presidente Lula fez referência à taxação imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, ao citar o trabalho desenvolvido na Universidade Federal de Integração Latino-Americana, localizada em Foz do Iguaçu.

"A gente quer formar uma doutrina latino-americana com professor latino-americano, com estudante latino-americano, para que a gente possa sonhar que esse continente um dia vai ser independente, que nunca mais um presidente de outro país ouça falar grosso com o Brasil, porque a gente não vai aceitar. Não é uma questão de coragem, é uma questão de dignidade, de caráter."

O aulão deste sábado, em São Bernardo do Campo, vai contar ainda com uma palestra ministrada pela professora Sônia Guimarães, primeira mulher negra doutora em física e docente do ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e outra de redação, com a professora Lívia Eduarda, do cursinho popular Professora Clarice, de Salvador.


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Por Joao Pedro 21 de agosto de 2026
As empresas brasileiras passarão a ser obrigadas a identificar e tomar medidas para garantir a saúde mental e a segurança dos trabalhadores. É o que estabelece a Norma Regulamentadora 1 (NR-1). As sanções previstas às empresas que descumprissem a norma passariam a vigorar este mês, mas uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a aplicação de multas outras sanções. A aplicação da NR-1 foi um dos assuntos tratados no seminário Entre a norma e o real: desafios e perspectivas do mundo do trabalho, que ocorre nesta quinta-feira (20) e sexta-feira (21), na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. A NR-1 entrou em vigor em 26 de maio deste ano e passou a abranger os fatores de riscos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. “A norma obriga as empresas a identificar quais são os riscos para a saúde e a segurança dos trabalhadores e a tomar medidas de controle”, disse à Agência Brasil o auditor-fiscal do Trabalho Airton Marinho, representante da DS-MG/SINAIT, que mediou o debate sobre o assunto. A NR-1 é uma norma de 2022, que teve a aplicação adiada em 2024 e 2025 e entrou em vigor em maio de 2026. Em junho, entretanto, uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) suspendeu por 90 dias o efeito da norma na parte relacionada aos riscos psicossociais. Esta semana, por unanimidade, o Plenário do STF referendou a decisão do ministro André Mendonça que suspendeu a aplicação de multas e outras sanções ligadas à inclusão de fatores de riscos psicossociais nas regras de gerenciamento de riscos no ambiente de trabalho. Saúde mental Dados da Previdência Social mostram que foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária por transtornos mentais e comportamentais em 2025, aumento de 15,66% em relação ao ano anterior. Os grupos de diagnósticos mais frequentes em 2025 foram os transtornos ansiosos e os episódios depressivos. Os números não significam, entretanto, que todos os afastamentos tenham sido causados pelo trabalho. Eles ajudam a dimensionar o crescimento do adoecimento mental e reforçam a importância de discutir os fatores presentes na organização e nas condições de trabalho. Airton Marinho informou que, na Europa, onde, teoricamente, as condições de trabalho são melhores do que as brasileiras, 19% dos afastamentos por doença mental são relacionados ao trabalho. “Se a gente colocar esse item aqui, você vai ter uma ideia da dimensão disso no Brasil que, provavelmente, é até maior”, afirmou.

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